Curitiba, 21 de março de 2026
→ autora: prof. Maria Stêvão
→Texto Bíblico
“Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi; aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra”.
(Cantares 2:11-12)
Reflexão
Salomão está falando de um tempo deslumbrante! É a chegada da Primavera, e os verbos estão no presente: aparecem as flores, chega o tempo de cantar e ouve-se a voz da rola.
Ele mesmo disse, em Eclesiastes 3: “há tempo para todas as coisas”.
A rola é uma ave menor, mais delicada que a pomba, e, pelo que tudo indica, era abundante naquela região.
Mas a voz das pombas e das rolas não é necessariamente um canto; o arrulhar delas mais se parece com um gemido.
Isaías, no capítulo 38, falando sobre a doença do rei Ezequias, diz que ele “gemia como a pomba”, e no capítulo 59:11, que “continuamente gememos como pombas”, esperando o juízo.
Por sinal, essa profecia do capítulo 59 de Isaías está se cumprindo hoje!
A primeira vez que a Bíblia fala da pomba é em Gênesis capítulo 8 verso 8, quando Noé soltou uma pomba para ver se as águas do dilúvio tinham minguado de sobre a face da terra.
As pombas desempenham um papel especial, desde o início da criação.
O livro de Cantares faz várias referências a essas aves.
O salmista Davi, sendo também poeta, não podia deixar de falar delas. No Salmo 55:6, ele diz: “Quem me dera asas como de pomba! Voaria e estaria em descanso”.
Os grandes profetas, Isaías, Jeremias e Ezequiel também falaram das pombas.
Mas o protagonismo maior foi no batismo de Jesus, quando o Espírito Santo, em forma de pomba, pousou sobre a cabeça do Filho de Deus (Mateus 3:14).
Ainda no Antigo Testamento, segundo a lei de Moisés, as famílias judias deviam santificar o filho primogênito (Êxodo 13:2), fazendo uma oferta ao Senhor.
A oferta devia ser de um cordeiro de um ano, mas se as posses da família não bastassem, ela deveria tomar duas rolas, ou dois pombinhos: um para o holocausto e outro para oferta pelo pecado (Levítico 12:8).
Jesus não tinha pecado, mas ele cumpriu a lei. E quando os oito dias foram cumpridos para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, e, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor e para darem a oferta segundo o disposto na lei: um par de rolas ou dois pombinhos (Lucas 2:21-24).
Os pais de Jesus não tinham um cordeiro para oferecer! A oferta foi de uma família pobre.
Salomão era poeta por excelência! A sensibilidade dele em Cantares 2 chama a atenção.
Apesar da voz da rola estar muito longe de ser maviosa, somos transportados pelo autor para um ambiente idílico, ou seja, amoroso, suave, de tranquilidade, paz e esperança.
Ele vê as flores; ouve o arrulhar da rola e constata que a chuva e o inverno se foram! E então exclama: “o tempo de cantar chega!”.
O inverno, todos sabem, é a estação mais fria do ano.
No sul do Brasil, é a estação das chuvas. Nascida no Rio Grande, enfrentei muitos invernos com chuva e frio rigorosos!
Depreendemos nas entrelinhas do texto que o inverno era também a estação das chuvas naquela região e que Salomão estava feliz por ele ter passado.
Está escrito que, enquanto o mundo durar, haverá sementeira e sega, frio e calor, verão e inverno (Gênesis 8:22). Deus determinou assim, e assim será.
As quatro estações são divisões climáticas baseadas na inclinação da terra e sua órbita ao redor do sol, com fenômenos naturais que ocorrem em períodos de cerca de três meses cada.
“Da parte do Senhor se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos” (Salmo 118:23).
Mas o inverno tem sido colocado dentro de uma conotação simbólica muito sombria: tristeza, angústia, solidão, luto, dor, velhice, dificuldades. Períodos de provação e lutas.
Enfim, todos os maus momentos da nossa vida são comparáveis ao inverno.
Mas cada estação dá lugar a outra e elas passam, como todas as demais coisas. Até os céus e a terra passarão (Marcos 13:31).
Só as palavras de Jesus permanecerão para sempre.
Enquanto o inverno durar, ele pode estar nos reservando um tempo de descanso e reflexão, renovação e espera pela provisão e fidelidade de Deus, preparando-nos para a nova estação de crescimento e bênção.
“Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças e subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão” (Isaías 40:31).
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